
Vamos relembrar o caso.
Um vereador de São Luís teria recebido dinheiro de um candidato ao Governo do Maranhão para bancar uma estrutura de mobilização política nas últimas eleições. Depois, veio a história da compra de uma loja inteira de carros pelo parlamentar.
Agora, o que se comenta nos corredores da política é que o valor teria chegado a cerca de R$ 10 milhões para custear a mobilização.
O detalhe que chama atenção é que outros vereadores teriam conseguido entregar muito mais votos aos seus candidatos sem precisar de um dispêndio financeiro dessa dimensão.
E a pergunta continua sem resposta nos bastidores: onde foi que esse vereador mobilizou tanta gente?
Até hoje, tem gente procurando os rastros dessa estrutura de campanha.
Mas o mistério ganhou um novo capítulo.
Com qual carro esse vereador irá para a Festa da Juçara no próximo domingo?
Pesquisa mostra recuperação do presidente, que eliminou diferença de seis pontos percentuais em duas semanas; disputa está empatada a nove dias da eleição

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuperou terreno na corrida presidencial e alcançou o senador Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto para o segundo turno das eleições de 2026. Os dois candidatos aparecem com 50% dos votos válidos, segundo levantamento PoderData/Aya divulgado nesta sexta-feira (16), a nove dias da votação marcada para 25 de outubro.
A recuperação de Lula ocorre após um período de crescimento de Flávio Bolsonaro, que terminou o primeiro turno à frente do presidente. Na votação inicial, o senador recebeu 47,03% dos votos, enquanto o petista conquistou 45,16%, uma diferença de 1,87 ponto percentual.
Desde então, o desempenho dos candidatos nas pesquisas passou por uma inversão de tendência. Enquanto Lula ampliou suas intenções de voto, Flávio perdeu parte da vantagem conquistada após a primeira votação. O empate registrado agora indica que nenhum dos dois candidatos chega à reta final da disputa com favoritismo consolidado nas intenções de voto.
A recuperação do presidente coincide com uma intensificação da mobilização de sua campanha e com a aprovação de uma das principais propostas defendidas pelo campo progressista: o fim da escala de trabalho 6×1.
Na quarta-feira (14), o Congresso Nacional concluiu a aprovação da mudança para a escala 5×2, garantindo dois dias de descanso semanal aos trabalhadores. Parte das entrevistas da nova pesquisa foi realizada depois dessa decisão, o que significa que o levantamento já captou parcialmente o cenário político posterior à aprovação da medida.
A proposta havia sido incorporada à campanha de Lula e colocou a oposição diante de uma pauta com forte apelo entre os trabalhadores. O próprio Flávio Bolsonaro votou favoravelmente à mudança.
Outro movimento do presidente ocorreu na quinta-feira (15), quando prometeu implementar a gratuidade dos ônibus urbanos em todo o país aos fins de semana, caso seja reeleito.
A campanha petista passou a combinar essas iniciativas com a defesa de medidas de impacto direto sobre o cotidiano da população, buscando ampliar a participação de seus apoiadores e recuperar eleitores na reta final do segundo turno.
Flávio ainda é visto como favorito por 51% dos eleitores
Apesar do empate nas intenções de voto, Flávio Bolsonaro mantém vantagem quando os entrevistados são questionados sobre quem acreditam que vencerá a eleição.
Segundo o PoderData/Aya, 51% dos eleitores consideram que o senador tem mais chances de conquistar a Presidência, enquanto 42% apontam Lula como o provável vencedor.
Após o primeiro turno, Flávio concentrou parte de sua agenda em reuniões com lideranças políticas e negociações para ampliar sua base de apoio. Entre os grupos considerados relevantes para essa articulação estão os eleitores de Ronaldo Caiado e Romeu Zema, que ficaram fora da disputa final.
A campanha do senador também prepara uma demonstração pública de força para o domingo (18), com um ato na Avenida Paulista, em São Paulo. A manifestação deverá ser um dos principais eventos organizados pelo PL nesta etapa da eleição.
Lula lidera entre mulheres; Flávio tem vantagem no Sul e no Centro-Oeste
Os recortes demográficos da pesquisa revelam diferenças importantes na distribuição do apoio aos candidatos.
O senador, por sua vez, apresenta seus melhores desempenhos regionais no Sul e no Centro-Oeste. Na região Sul, Flávio alcança 57% das intenções de voto, enquanto no Centro-Oeste registra 54%.
Esses resultados evidenciam a importância da distribuição regional e demográfica dos votos para o desfecho da eleição. A vantagem de Lula entre as mulheres contrasta com a força eleitoral de Flávio em regiões nas quais o campo bolsonarista apresenta maior desempenho.
Rejeição de Lula permanece em 46% e a de Flávio chega a 45%
O levantamento também avaliou o potencial de voto e a rejeição dos dois presidenciáveis, indicadores relevantes para compreender as possibilidades de crescimento de cada candidatura.
Entre os entrevistados, 44% afirmam que Lula é o único candidato em quem votariam. O percentual representa um avanço de dois pontos em relação à pesquisa realizada três dias antes, quando esse grupo correspondia a 42%.
A rejeição ao presidente, entretanto, permanece estável. Segundo o levantamento, 46% dos eleitores dizem que não votariam nele de jeito nenhum, índice que não se alterou desde o primeiro turno.
No caso de Flávio Bolsonaro, a rejeição passou de 44% para 45% em três dias, uma oscilação de um ponto percentual.
Os números mostram que ambos enfrentam resistência de parcelas expressivas do eleitorado. No segundo turno, esse indicador ganha importância porque os eleitores que apoiaram outros candidatos precisam decidir entre os dois concorrentes restantes, votar em branco, anular o voto ou se abster.
Aprovação do governo Lula segue dividida
A pesquisa também mediu a percepção dos brasileiros sobre o desempenho do presidente e de sua administração.
De acordo com os resultados, 47% dos entrevistados desaprovam o trabalho pessoal de Lula, enquanto 46% aprovam sua atuação. Outros 7% não souberam responder.
Quando a pergunta se refere especificamente ao governo federal, a avaliação é um pouco mais negativa: 49% desaprovam a administração petista, contra 46% que a aprovam. Outros 5% não apresentaram resposta.
Os resultados indicam um eleitorado dividido também em relação à gestão federal. Embora Lula tenha avançado nas intenções de voto para o segundo turno, a avaliação de seu governo continua apresentando índices de desaprovação ligeiramente superiores aos de aprovação.
Pesquisa ouviu 3 mil eleitores em 644 municípios
O levantamento PoderData/Aya foi realizado entre os dias 13 e 15 de outubro de 2026, por meio de entrevistas telefônicas com eleitores de todas as unidades da Federação.
Ao todo, foram entrevistadas 3 mil pessoas em 644 municípios dos 26 estados e do Distrito Federal. A pesquisa apresenta margem de erro de 1,8 ponto percentual, para mais ou para menos, e intervalo de confiança de 95%.
A coleta de dados foi feita por meio de ligações para telefones celulares e fixos, utilizando um sistema automatizado no qual os entrevistados respondem às perguntas pelo teclado do aparelho.
A amostra considera critérios de sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, com o objetivo de reproduzir proporcionalmente a composição da população brasileira.
O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04258/2026.

Uma forte movimentação política nos bastidores da Câmara Municipal de Icatu vem revelando alianças sombrias, ingratidão e uma busca desenfreada pelo poder.
No centro das articulações estão o vice-prefeito, Carlos Pereira, e o vereador Fábio Totó, que encabeça uma chapa para disputar a presidência do Poder Legislativo municipal sem a anuência do atual prefeito, Walace Azevedo.
A manobra, conduzida totalmente “por debaixo dos panos”, expõe um claro sinal de traição política e fisiologismo por parte dos articuladores, cujos objetivos principais visam atender a projetos pessoais de poder em detrimento da estabilidade do município.
O Papel do Vice-Prefeito: Traição e Chantagem Política
A atuação de Carlos Pereira é apontada como um ato explícito de infidelidade à gestão da qual faz parte. Mais não é a primeira vez que o atual vice prefeito mostra deslealdade, o homem segue aumentando o currículo, ele fez o mesmo, mas em situações diferentes com o ex prefeito Zezinho Matos, Dunga e Juarez Lima, mais como diz o ditado popular “O traidor é como o escorpião: trai por natureza, mesmo que isso custe a sua própria sobrevivência.”
Ao articular uma chapa paralela na Câmara às escondidas, o vice-prefeito busca criar uma engrenagem de pressão sobre o prefeito Walace Azevedo.
Os objetivos da articulação de Carlos Pereira incluem:
* Forçar o apoio para 2028: Usar a presidência da Câmara como moeda de troca e ferramenta de coerção para garantir, desde já, o apoio do prefeito à sua futura candidatura a prefeito nas eleições de 2028.
*
* Tentativa de desestabilização (Cassação): Promover manobras radicais no legislativo, incluindo planos de cassação do mandato do prefeito Walace — uma empreitada vista como inviável diante da aprovação do trabalho do gestor, além da sua reputação e respeito junto ao Ministério Público e ao Judiciário.
*
O Papel do Vereador Fábio Totó: Ingratidão e Projeto de Poder
O vereador Fábio Totó, postulante à presidência da Câmara, desempenha um papel de destaque na trama, marcado pela ingratidão e pelo oportunismo. Durante um longo período, a atual gestão municipal fez questão de atender e priorizar as indicações feitas por ele e pela Casa Legislativa, visando sempre o bem-estar e as melhorias para o povo de Icatu.
Mesmo com esse respaldo e atenção constante às demandas da população, Fábio Totó optou por violar com a lealdade institucional:
* Ingratidão ao diálogo: Virou as costas para o apoio que sempre recebeu do Poder Executivo em prol das suas indicações comunitárias.
* Ambição pessoal para 2028: Uniu-se ao vice-prefeito em uma aliança de bastidores com o objetivo direto de garantir sua vaga como candidato a vice-prefeito na chapa de 2028.
* Composição do grupo: Para viabilizar a chapa, Fábio reuniu os vereadores Janilton, Jailson e Magno da Mata, colocando a Câmara a serviço de um projeto pessoal de poder.
Enquanto isso alguns vereadores matem alinhamento com o prefeito e outros dois seguem em conversações:
Tocha
Robert
Sidinho
Neto Costa
Conclusão
A tentativa de conquistar o Poder Legislativo de Icatu através de manobras de bastidores expõe a fragilidade do compromisso do vice-prefeito e do vereador com a cidade. Enquanto a gestão municipal segue focada no trabalho e nas entregas para a população, a aliança entre Carlos Pereira e Fábio Totó revela como a ambição política antecipada para 2028 tenta se impor sobre a ética e a estabilidade democrática do município.
Blog do Leitão

As urnas de 2026 deixaram um recado duro para Ivan Júnior, do União Brasil. O candidato a deputado federal recebeu 4.109 votos, contra 6.647 em 2022. Foram 2.538 votos a menos, uma queda de aproximadamente 38%. Para quem chegou a exercer temporariamente o mandato na Câmara Federal, o resultado representa um expressivo recuo político.
Ligado à região Itaqui-Bacanga, em São Luís, Ivan teve a oportunidade de transformar sua passagem por Brasília em fortalecimento político. Entretanto, a votação mostra que essa experiência não se converteu em crescimento nas urnas. Entrou pequeno e saiu ainda menor.
O resultado exige uma revisão de estratégia, especialmente se pretende disputar uma cadeira na Câmara Municipal de São Luís. Uma eleição para vereador exige presença constante, diálogo e construção coletiva. Não basta reivindicar a condição de representante de uma região: é preciso abrir espaço para quem vive e trabalha nela.
A cobrança por maior participação das lideranças comunitárias merece atenção. São essas pessoas que acompanham os problemas dos bairros, escutam os moradores e conhecem demandas que muitas vezes não chegam aos gabinetes. Ignorar essa participação significa enfraquecer a própria base.
Wind banners, fotografias e outras peças de divulgação podem dar visibilidade a uma candidatura, mas não substituem relacionamento com a comunidade. Material de campanha não escuta reclamações, não constrói confiança e não ocupa o lugar de uma liderança presente.
Ivan Júnior precisa compreender o recado das urnas. Se deseja viabilizar um futuro projeto municipal, terá de ouvir mais, compartilhar espaços e valorizar as pessoas da sua região. A insistência numa estratégia que terminou com perda expressiva de votos pode transformar a pretensão de chegar à Câmara Municipal em mais uma frustração eleitoral.
A proximidade entre os dois também aparece em reclamações do banqueiro sobre a cobertura jornalística de sua instituição financeira

247 – Mensagens extraídas do celular do empresário e ex-banqueiro Daniel Vorcaro revelam que Frederic Kachar, diretor-geral da Editora Globo e do Sistema Globo de Rádio, fazia comentários de cunho sexual sobre a atriz Deborah Secco e conversava sobre festas privadas organizadas pelo ex-controlador do Banco Master. Em um dos diálogos, o executivo afirmou que a artista “tava pra jogo” e declarou: “Eu só olhava pra bunda dela”. A proximidade entre os dois também aparece em reclamações do banqueiro sobre a cobertura jornalística de sua instituição financeira.
Os comentários sobre Deborah Secco ocorreram em uma conversa relacionada ao Baile da Vogue, evento para o qual Kachar havia negociado convites com Vorcaro. Ao recordar a festa, o executivo reclamou que a presença de sua ex-companheira havia impedido uma aproximação com outras mulheres.
“Me f0di. Minha ex foi e marcou em cima. E tava bom ontem”, escreveu Kachar.
Na sequência, o diretor mencionou Sabrina Sato e fez insinuações sobre a apresentadora. “A Sabrina tava pra jogo. Aniversário dela, soltinha”, afirmou.
“Ta doido, mulher não pode fazer isso”, acrescentou o banqueiro.
Em outra mensagem, Kachar comentou que Deborah seria madrinha de um camarote de Carnaval e atribuiu à atriz a intenção de aproveitar a condição de solteira. Os registros mostram avaliações sobre o corpo, a aparência e a suposta disponibilidade sexual das artistas, sem qualquer indicação de que elas tenham participado da conversa ou correspondido às insinuações.
Festas chamadas de “guerra na Ucrânia” e investigação sobre recrutamento de mulheres
As conversas sobre festas privadas também incluem referências à guerra na Ucrânia, expressão que, segundo as informações relatadas sobre os encontros, era utilizada por Kachar para se referir às comemorações. A expressão aparece em um contexto de eventos com a presença de mulheres estrangeiras, embora os registros divulgados não permitam estabelecer que todas as referências tivessem o mesmo significado.
O conteúdo está relacionado a revelações mais amplas sobre as festas promovidas pelo ex-banqueiro. Reportagem publicada pelo UOL em 13 de outubro, assinada pelos jornalistas Natália Portinari, Cézar Feitoza e Fabio Serapião, apontou que Vorcaro teria financiado uma estrutura internacional de recrutamento de mulheres para encontros privados com empresários, autoridades e pessoas de seu círculo social.
Segundo a apuração, baseada em mensagens obtidas no âmbito das investigações da Polícia Federal, a estrutura envolvia mulheres estrangeiras, incluindo refugiadas da Ucrânia e mulheres da Rússia, Venezuela e Argentina, além de referências a participantes de outras nacionalidades, como a polonesa.
O esquema descrito nas mensagens incluía agenciadores responsáveis por selecionar participantes, organizar deslocamentos internacionais, reservar hotéis e providenciar pagamentos. As atividades teriam ocorrido a partir de 2023, com eventos em cidades brasileiras e destinos internacionais como Londres, Paris, Roma e Dubai.
Vorcaro negou envolvimento em exploração sexual e contestou a divulgação das mensagens, alegando que os registros foram apresentados fora de contexto. O caso permanece sob apuração.
Os diálogos entre Vorcaro e Kachar mostram que a relação entre os dois incluía convites frequentes para encontros privados.
Em uma conversa do início de 2024, após mencionar uma festa com modelos estrangeiras, o banqueiro solicitou ao diretor o contato de Roberto Marinho Neto, CEO da Globo Ventures, divisão de investimentos do Grupo Globo.
“Depois me passa o contato do Roberto”, escreveu Vorcaro.
Três dias depois, o ex-banqueiro voltou a procurar Kachar para convidá-lo a uma nova comemoração, desta vez com a promessa de privacidade.
“Se você animar, hoje tem. Fechei um lugar sem risco e sem celular para a verdadeira festa”, afirmou.
O executivo aceitou o convite: “É nessa que eu vou”.
“Você é meu convidado de honra”, respondeu Vorcaro.
A referência a um ambiente sem celulares chama a atenção diante das revelações sobre a organização dos encontros do banqueiro. Mensagens de outros integrantes da rede também mencionavam medidas para impedir que participantes utilizassem aparelhos telefônicos durante as festas.
Os registros, entretanto, não comprovam que Kachar tenha participado de atividades ilegais nem esclarecem o significado exato da expressão “sem risco” utilizada por Vorcaro.
No dia seguinte ao encontro, o diretor agradeceu ao banqueiro e fez uma brincadeira sobre o desgaste provocado pela festa.
“Será que alguém anotou a placa do caminhão que me atropelou? Obrigado pelo convite ontem”, escreveu.
Vorcaro respondeu que havia dormido apenas três horas e lamentou que o executivo tivesse permanecido pouco tempo no evento.
“Ídolo. Se eu faço isso, saio de ambulância do quarto”, reagiu Kachar.
O banqueiro também contou que participou da comemoração enquanto sua então esposa o aguardava em um quarto próximo. A revelação provocou outra manifestação de admiração do diretor: “Ídolo máximo, então. Isso eu jamais consegui”.
Executivo prometeu falar com Malu Gaspar após críticas ao Banco Master
Além dos encontros sociais, as mensagens revelam que Vorcaro recorria ao diretor da Globo para manifestar descontentamento com reportagens sobre o Banco Master.
Em uma das conversas, o banqueiro encaminhou uma reportagem da jornalista Malu Gaspar sobre processos envolvendo gestores da instituição financeira e reclamou do conteúdo.
“Isso é sacanagem demais fred, numa boa”, escreveu.
Vorcaro também classificou a sequência de publicações como uma “chuva de ataques” e criticou a atuação jornalística do Grupo Globo.
Kachar respondeu que tentava conversar com a jornalista e afirmou que a maneira de trabalhar de Malu Gaspar não era direcionada exclusivamente ao ex-banqueiro.
Ainda assim, o executivo demonstrou insatisfação com o conteúdo das publicações.
“Eu acho cansativo e desnecessário”, escreveu.
Em seguida, diante das reclamações de Vorcaro, prometeu: “Vou falar com ela”.
O diálogo mostra que o banqueiro tinha acesso direto a um integrante do alto escalão do conglomerado de comunicação para questionar reportagens sobre seus negócios. As mensagens, entretanto, não demonstram que a conversa prometida tenha ocorrido ou que tenha provocado alguma alteração na cobertura jornalística.
Banco Master patrocinou evento da Globo em Nova York
A proximidade entre Vorcaro e Kachar também se manifestava em relações comerciais. Em maio de 2024, o Banco Master patrocinou o Summit Valor Econômico Brazil-USA, encontro realizado em Nova York, nos Estados Unidos, com a participação de representantes do mercado financeiro e do setor empresarial.
Durante o evento, Kachar apresentou Vorcaro como “amigo”. O banqueiro participou da programação como um dos principais convidados.
O encontro também contou com a participação do colunista de O Globo Lauro Jardim, que apresentou um dos painéis. Outras mensagens divulgadas pelo DCM apontaram a existência de uma relação pessoal próxima entre o jornalista e o ex-controlador do Banco Master.
O conjunto de conversas documenta uma relação que combinava encontros sociais, convites para festas e interlocução profissional entre Vorcaro e integrantes do Grupo Globo.
As revelações surgem em meio ao avanço das investigações sobre os negócios do Banco Master e sobre a organização de eventos privados financiados pelo ex-banqueiro. Embora as mensagens exponham a proximidade entre os envolvidos, a eventual ocorrência de crimes relacionados ao recrutamento de mulheres e a existência de interferência na atividade jornalística são questões distintas que dependem de comprovação específica.
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) prevê jornada de 40 horas, dois dias de folga e manutenção dos salários

O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (14) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que acaba com a escala de trabalho 6×1. O texto reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e garante dois períodos de repouso, um deles preferencialmente aos domingos, e sem redução salarial.
A votação representou uma vitória política para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que incorporou a redução da jornada à campanha pela reeleição, marcada para o segundo turno de 25 de outubro. Até o PL, partido de seu adversário, Flávio Bolsonaro, apoiou a mudança.
Redução para 40 horas ocorrerá em duas etapas
Se o Congresso promulgar a emenda constitucional, a implementação seguirá um calendário gradual. Dois meses após a promulgação, a jornada máxima cairá de 44 para 42 horas semanais. Nesse momento, os trabalhadores também passarão a contar com dois dias de descanso remunerado.
A proposta também estabelece exceções. Uma delas alcança profissionais com formação superior e remuneração mensal superior a duas vezes e meia o teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), faixa indicada no texto como superior a R$ 21.188. Para esse grupo, a emenda prevê regras diferenciadas sobre os limites de jornada, preservadas as demais garantias aplicáveis.
Teresa Leitão, Humberto Costa e Randolfe Rodrigues
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que será necessário manter a vigilância e o acompanhamento mesmo após a votação, pois, segundo ela, outras propostas em tramitação estabelecem regras menos favoráveis aos trabalhadores.
O senador Humberto Costa (PT-PE) criticou o discurso da oposição, que classificou como de “duas caras”. Ele e Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) alertaram que, apesar de terem votado a favor da medida, alguns parlamentares já articulam iniciativas para reverter as mudanças.
“É o inverso do fim da 6×1. Eles querem é isso, é o prevalecer do negociado sobre legislado, como se houvesse igualdade de armas entre patrão e empregado”, afirmou Randolfe, que desafiou os oposicionistas a retirarem suas assinaturas para permitir o arquivamento da proposta.
Posição anunciada por Davi Alcolumbre
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), abriu a sessão afirmando que a votação cumpria o acordo estabelecido com os parlamentares para analisar a proposta após o primeiro turno das eleições.
O senador também defendeu que cada senador manifestasse sua posição de acordo com a própria consciência. Durante o pronunciamento, ressaltou a expectativa de trabalhadores em relação à ampliação dos períodos de descanso.
Um dos discursos que receberam aplausos no Plenário foi o do senador Paulo Paim (PT-RS), defensor da redução da jornada de trabalho ao longo de sua trajetória parlamentar.
O petista, que encerrará sua participação na vida pública ao fim de 2026, havia manifestado o desejo de participar da votação antes de deixar o Senado. Durante a sessão, o parlamentar comemorou o avanço da proposta e destacou a mobilização de trabalhadores em diferentes estados. “Vamos entrar para a história de cabeça erguida”, afirmou.
Em seguida, agradeceu à população que participou das manifestações favoráveis à mudança. “Aqui eu só tenho a dizer a todos vocês, ao povo brasileiro que foi às ruas em todos os estados, eu termino só dizendo a vocês que o Congresso, este Senado, só tem que dizer: gratidão, gratidão, gratidão e gratidão!”
O governo Lula transformou o fim da escala 6×1 em uma de suas principais propostas na área trabalhista. A medida prevê ampliar o tempo de descanso dos empregados sem comprometer sua remuneração.
Desde a semana anterior à votação, integrantes da base governista articulavam um acordo para acelerar a análise da PEC e concluir sua tramitação antes do segundo turno da eleição presidencial.
A aprovação por 75 votos a um demonstrou apoio de parlamentares de diferentes partidos, incluindo integrantes da oposição ao governo federal. O resultado também ocorreu após a mudança de posicionamento de Flávio Bolsonaro e de aliados do PL, que anteriormente haviam manifestado críticas à proposta.
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